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19 de maio de 2011

Não à divisão do curso de Ciências Sociais

A atual situação polêmica no curso de Bacharelado/Licenciatura em Ciências Sociais na UFPA se deve a vontade, por parte da administração do curso, desde a Faculdade até o MEC, de implementar o mais rápido possível e sem muito empecilhos, o novo Projeto Político Curricular (Antigo P.P. Pedagógico), modificando e readequando o curso ao moldes do REUNI.
É certo que formalmente o IFCH não aderiu a esse decreto presidencial, é certo que formalmente os institutos têm sua autonomia perante a universidade, e esta perante o ministério. Mas, em última instância isso não representa nada.
Logo abaixo temos o texto REUNI, expansão sem qualidade que nos dá uma base sobre a questão. E o mais interessante é que vem da luta e discussão de alunos aqui mesmo da UFPA. 
Nessa última sexta (13/05) o CACS foi informado por meio de um documento vindo da professora Andréa Chaves, diretora da faculdade, que o curso de Ciências Sociais já tinha um Projeto Político Curricular a ser submetido à PROEG/UFPA, e que restava aos alunos a apreciação desse PPC e possíveis sugestões. Esse novo PPC foi inteiramente produzido pelo professor Alex Fiuza, que coincidência ou não, foi o reitor da Instituição na época da aprovação do REUNI pela mesma. 
Após a mobilização do CACS para debater a questão com o alunado, surgiu
uma reunião extraordinária na quarta (18/05) para a aprovação do PPC e envio à PROEG, e depois de algumas conversas do CA com a diretoria da faculdade, acertou-se que o documento seria mesmo enviado, porém, a professora Andréa Chaves se encarregaria de "fazer o documento voltar" para que pudesse ser discutido na com os alunos.
Foi aberto um espaço para uma comissão formada por 11 estudantes, que seriam os responsáveis por representar o conjunto do alunado do curso, e tais vagas foram preenchidas mediante votação, tanto na Assembleia da manhã, quanto a da noite, exceto para 3 vagas dessas, que foram divididas entre o CA. Só que, tem um problema raiz nessa história, o "espaço" que estão querendo nos dar remete ao fato de já aceitarmos a divisão do curso em duas graduações diferentes, Licenciatura e Bacharelado. A opinião sobre essa questão já foi amplamente sinalizada pela maioria dos alunos, somos contra!
Há, de fato, muitas questões a serem discutidas sobre o PPC, que são de fundamental importância para a nossa formação, como por exemplo: desaparecimento de algumas disciplinas; incremento de disciplinas relacionadas a línguas estrangeiras e informática; diminuição da carga horária do curso; desaparecimento das ênfases; aumento da relação aluno/professor (possivelmente dobrarão as turmas); nenhuma previsão de melhora estrutural (pelo contrário, querem dividir mais as salas) ou aumento do número de professores. Todas essas questões vão ditar os caminhos que o nosso curso vai seguir daqui pra frente, e caiu em nossas mãos o momento em que isso está querendo se concretizar! Em muitos cursos isso já aconteceu, como na Matemática, onde, devido a separação, há dois anos não existe mais o curso de bacharelado, e em Geografia, parece-me (segundo depoimentos na assembleia) que conseguiram barrar a divisão. Mas é um problema recorrente, então, se encontrarem um elo fraco no movimento estudantil, farão essa precarização sem pensar duas vezes.
Contudo, coloco a questão central, todo o desenvolvimento dessa discussão se dará diante de um primeiro pressuposto, A DIVISÃO DO CURSO ENTRE BACHARELADO E LICENCIATURA. Se aceitarmos isso, estaremos perdendo, desde já, uma luta importante, pois isso implica diretamente nas possibilidades do aluno se manter, sobreviver, com o curso que está fazendo. Sabemos que em nossa área não temos um mercado de trabalho sedento por nossos diplomas, só esperando eles saírem para nos contratar, assim como pode acontecer em algumas áreas bem específicas, então, mesmo com Bacharelado e Licenciatura juntos já não é uma tarefa fácil conseguir empregos em nossa área, não necessita explicação o quanto se tornará difícil com eles separados.
De nada adianta ingressar na universidade se o resultado da formação que ela oferece não for a melhoria das condições de vida do formado, especificamente, e do povo, de modo geral! A maioria absoluta dos alunos no curso não entra aqui em busca de um hobby, ou algo parecido. Entramos aqui em busca de uma formação que nos possibilite uma melhora na capacidade intelectual, mas principalmente em nossas condições de vida! E essas medidas, com certeza, estarão prejudicando esse objetivo. Mesmo que muitas dessas alterações causem um impacto maior em quem entrará futuramente na universidade, não podemos deixar de nos mobilizar, até por que seremos atingidos também.
Todo o aluno, bem como qualquer professor, que se importe com os rumos do curso, e não esteja olhando apenas pro próprio umbigo, está, por isso mesmo, convocado a participar dessa luta, pois dela é parte.
A primeira exigência é que não se discuta Bacharelado e Licenciatura como cursos diferentes, e sim como um só! Se aceitarmos tocar a discussão a frente, adiando esse pressuposto, estaremos sendo derrotados na primeira e substancial luta. Por isso, antes de tudo, devemos exigir: NÃO À DIVISÃO DO CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS! 



4 comentários:

  1. A intenção, clara e evidente, da divisão do curso é, primeiramente, o enxugamento do conteúdo; segundo, o extermínio gradual do bacharelado por sua tendência a ficar defasado, pois a maioria dos estudantes tenderá a escolher, naturalmente, a licenciatura.
    Além do mais, o curso perderá toda a sua característica tradicional de formar, muito além de profissionais, cidadãos críticos e transformadores da sociedade.

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  2. Primeiramente, queria parabenizar a iniciativa do meu nobre colega em se propor, num espaço virtual de aceitação, discutir as questões que tange o curso de ciências sociais na universidade federal do Pará. Gostaria aqui, de enfatizar o papel preponderante dos estudantes como sujeitos da ação transformadora da educação em nosso país, bem como da sociedade. E isso me leva a fazer as seguintes elucidações.
    A grade curricular do curso de cências sociais que está prestes a ser reformulada, visa não só graduar de forma abrupta um número cada vez maior de jovens sonhadores, como também, encaminha-los para o mercado de trabalho segundo os princípios mercadológicos da lei da oferta e da procura. Explicando melhor: Ao invés de ter-mos cientista sociais ao término de 5 anos, teremos nada mais nada menos que " tecnólogos sociais" aptos à lecionar sociologia no ensino médio ou atuar na área da informação, tecnologia e linguistica ao final de 4 anos. Ou Seja, todos os individuos estarão preparados para se alocar ao mercado de trabalho das profissões do século XXI. É desta forma que o professor Alex Fiúza de Melo, ao elaborar o novo projeto politico curricular do curso(PPC)pensa o cientista social para os dias de hoje. Onde a capacidade de reformular, pensar e agir sobre os processos sociais de mudança politica-educacional e cultural estão à margem da sociedade capitalista ou mesmo incompatível com a mesma. No entanto, lembro também que cabe ao estudante reivindicar o direito de ser cientista social. Não sei se a revolução é o caminho, mas posso dizer que ela está a um passo de nossas mãos desde que estejamos aptos a fazê-la.

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  3. Agradecendo a força Alan, e aproveitando para contribuir, dizendo que teu ponto de vista é muito interessante.
    Desenvolvendo... se pegarmos só as disciplinas "profissionalizantes" inseridas nesse novo PPC, só elas somarão 360hrs de carga horária!! É mais que UM SEMESTRE normal!! Isso é uma piada com o nosso curso, não podemos aceitar!!

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  4. Apóio a mobilização para negação dessa divisão no curso de Ciências Sociais, até porque o meu grande interesse esse ano seria prestar vestibular para esse curso na UFPA. Havendo mobilização, prestarei minha solideriedade a causa e procurarei participar ativamente, também em nome do DCE-UNAMA (diretório central de estudantes da Universidade da Amazônia).

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