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26 de novembro de 2010

Como Fazer?

A problemática geral presente na teoria e prática de qualquer grupo hoje concorrente ao CACS é: cair na ilusão de que o CA é e deve ser um órgão representativo, e apenas em segundo plano organizar os estudantes, caso todas a instâncias legais já tenham sido calmamente utilizadas. Se a organização dos estudantes fica em segundo plano, isso quer dizer, logicamente, que organizar os estudantes em prol de suas necessidades não estará na ordem do dia de qualquer uma dessas gestões. Como os estudantes podem levar a cabo a sua organização quando o seu “órgão representativo legal” a deixa em segundo plano? Mudar o discurso de uma hora pra outra não é problema pra nenhum movimento desses. O pessoal da minha turma que o diga, quando eles mudaram de discurso na hora que a turma decidiu ter aula com a professora Edilza, ou então quando passaram chamando pra protestar contra a “eleição anti-democrática” da faculdade, e foi destacado que nossas necessidades eram outras, como manutenção do ar-condicionado, bebedouros, professores, etc. Nessas ocasiões o discurso foi mudado imediatamente, mas, sem reflexo na prática. Hoje em dia, eu já disse e repito, um protesto de sucesso pra eles é algum que tenha uma dúzia de membros de partido e outra de calouros (sem ofensas aos calouros, pois, também sou), que rendam algumas fotos e comentários, mas que no fundo não rendem 'resultados para os estudantes'.
Todas as 3 chapas concorrentes ao CA tem
em alguns membros um ponto dito marxista. Certo. Então deveriam entender conceitos básicos do Marxismo, como por exemplo, Luta de Classes, Ditadura do Proletariado, Estado, Democracia Burguesa e Democracia Proletária, além de outros, e principalmente que esses conceitos só podem servir à análise em conjunto, são indissociáveis entre si. Analisar a partir da Luta de Classes sem o objetivo da Ditadura do Proletariado é não estar no campo do Materialismo Histórico, assim como analisar o Estado sem o conceito da Democracia Burguesa, e não distinguir a Democracia Burguesa da Democracia Proletária também é não estar no campo científico do Materialismo Histórico. Outro ponto completamente submerso na Democracia Burguesa é o fato de acreditarem que só é possível fazer um movimento, conquistar uma melhoria para nossas condições de estudo, através de um “órgão representativo legal”, ou seja, que sem um Centro Acadêmico, por exemplo, é impossível reclamar alguma melhoria. Respondam-me, quando batem a porta da reitoria na cara de vocês, a quem vocês vêm correndo suplicar o apoio? A quem vocês gritam desesperadamente que os ajudem nessa causa crucial para todo o movimento estudantil? Eu respondo a quem. Recorrem àqueles únicos que podem fazer alguma coisa, os estudantes de fato, a massa estudantil. Mas eles não estão nem aí quando vocês passam em sala ou gritam com uma caixa amplificadora, sabe porquê? Por que vocês nem sabiam se aquela reivindicação era realmente a necessidade deles, ou então os deixaram em segundo plano. Toda essa questão prática vocês não entendem. Quando uma luta estiver devidamente contida nas necessidades estudantis, e a organização de tais estudantes estiver devidamente priorizada, não será necessário morrer se esperneando pelo apoio dos alunos, pois eles farão parte da luta. Mas isso é simples demais pra entrar num pensamento tão complexo.
E, vale afirmar aqui que essa opinião foi direcionada principalmente aos membros com um ponto dito marxista, mas secundariamente àqueles que estão sob as decisões deles. O fato de termos 3 chapas disputando a eleição do CA mostra um grande interesse da parte de muitos alunos em efetivar uma luta por melhorias para os estudantes. Além disso, como todas as chapas destacam, “temos integrantes/apoios de partido, mas a chapa não é de partido”, mostra como a imagem dos partidos está suja perante o alunado, e como eles tentam esconder suas caras. Tal repercussão foi criada pelo próprio método de tais partidos, e por mais ninguém. Isso prova concretamente a total linha errônea que seguem. Não adianta colocarem a culpa em consciência egoísta do povo, ou em falta de consciência, e etc, quando na verdade o problema é intrínseco à teoria e à prática aplicadas por eles. As pessoas hoje procuram justamente aonde não há esses partidos, ouve-se a todo momento, “áhhh, mas qual partido tá naquela chapa” com um ar rejeitoso, o que mostra o tanto quanto esses partidos não são a expressão de suas necessidades. Coitada da conjuntura, que traiçoeiramente, no esgotamento de todos os argumentos, sempre leva a unânime culpa.
O tempo hoje é de animação. É propício a muitas pessoas, interessadas em contribuir de alguma forma, aparecerem em meio a esse emaranhado de irresoluções, e realmente se dedicarem às necessidades do estudante no geral. Boa intenção é elemento fundamental, mas não é um método. Independentemente e independente do resultado dessa eleição, pessoas vão estar dispostas a melhorar nosso curso de fato, e estou certo de que serei uma delas, desde já deixando uma proposta, não uma promessa, de que podemos reunir e discutir sobre as necessidades reais do nosso curso, com todos os estudantes que quiserem e puderem, organizarmo-nos para analisar quais as melhores formas de as colocar e as reivindicar perante quem for. Não para criarmos nosso órgão representativo, mas para não depender dele. Não para criarmos uma voz representativa, mas para sermos nossa voz. Não para criarmos nossos políticos, mas para descartá-los. Não para tentar acertar de ano a ano nossas escolhas, mas para não dar chance ao erro. Se a verdadeira classe estudantil estiver organizada na direção de seus interesses, quem vai deixar que um Centro Acadêmico tome alguma decisão que não seja a justa?

Está dito.


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