Páginas

8 de dezembro de 2010

Primeiros Passos

Depois de muitas críticas sobre as formas de organização dessas entidades que tentam ''criar'' movimento estudantil (ver 'Como Fazer' e 'Sobre o Balanço do CACS') - dentro da UFPA a nível local - surge uma possibilidade de organização estudantil concreta. E como mencionado nos textos acima disponibilizados, "não para criarmos nosso órgão representativo, mas para não depender dele. Não para criarmos uma voz representativa, mas para sermos nossa voz.".
Um conjunto de primeiros interessados em dar início a uma coisa, a organização dos estudantes em prol de suas necessidades. Não será a formação de um grupo pra lutar isoladamente ou representativamente pelas necessidades estudantis, mas o objetivo é a própria organização do alunado em todos os níveis, para que chutemos o "i" da inércia e passemos a ter resultados para nossa melhoria nos estudos. Basicamente foi essa a proposta fixada durante a primeira reunião acontecida.

Qualquer aluno que estiver interessado pode participar. Vale reforçar que ninguém está organizando uma oposição ao CA, ou um apoio, ou alguma coisa que faça referência. O objetivo é organizar os alunos, mas o posicionamento é contra essa "luta institucionalizada" e representativa que se dá hoje, e fica sempre barrada em seus limites, deixando os estudantes em segundo plano, e muitas vezes caindo na mera briga partidária por interesses desvinculados das necessidades estudantis.
Enfim, quem quiser conferir, compareça. Os primeiros passos estão sendo dados, mas a caminhada é muito longa.

26 de novembro de 2010

Como Fazer?

A problemática geral presente na teoria e prática de qualquer grupo hoje concorrente ao CACS é: cair na ilusão de que o CA é e deve ser um órgão representativo, e apenas em segundo plano organizar os estudantes, caso todas a instâncias legais já tenham sido calmamente utilizadas. Se a organização dos estudantes fica em segundo plano, isso quer dizer, logicamente, que organizar os estudantes em prol de suas necessidades não estará na ordem do dia de qualquer uma dessas gestões. Como os estudantes podem levar a cabo a sua organização quando o seu “órgão representativo legal” a deixa em segundo plano? Mudar o discurso de uma hora pra outra não é problema pra nenhum movimento desses. O pessoal da minha turma que o diga, quando eles mudaram de discurso na hora que a turma decidiu ter aula com a professora Edilza, ou então quando passaram chamando pra protestar contra a “eleição anti-democrática” da faculdade, e foi destacado que nossas necessidades eram outras, como manutenção do ar-condicionado, bebedouros, professores, etc. Nessas ocasiões o discurso foi mudado imediatamente, mas, sem reflexo na prática. Hoje em dia, eu já disse e repito, um protesto de sucesso pra eles é algum que tenha uma dúzia de membros de partido e outra de calouros (sem ofensas aos calouros, pois, também sou), que rendam algumas fotos e comentários, mas que no fundo não rendem 'resultados para os estudantes'.
Todas as 3 chapas concorrentes ao CA tem

15 de novembro de 2010

Crise?! É, crise.

Não pense que todos esses acontecimentos que estão sendo noticiados diariamente por jornais diversos são apenas coincidências! Todos são sintomas, daquilo que é real na economia internacinal hoje. O sistema capitalista está há algum tempo em crise, e a medida que esse tempo passa, ela se aprofunda e expõe cada vez mais suas contradições.

A Grécia está renegociando o prazo da dívida que fez. A Irlanda vai pegar 90 bilhões de euros emprestados. A França cortando gastos públicos desde já, mesmo diante de manifestações e greves com mais de 2 milhões de pessoas nas ruas, ao mesmo passo de Espanha, que também está cortando benefícios previdenciários dos trabalhadores.

Tudo isso acaba deixando bem claro o motivo da existência do Estado, quando se endivida acima de seus limites para salvar alguns bancos, ou empresas bilionárias que estão por dentro de suas fronteiras. Corta "direitos" que foram conseguidos ao longo de um histórico de lutas imenso. Mas o capital é assim, ameaça, reprime, demite, resumindo, faz o que for preciso (tudo mesmo) para conseguir manter se valorizando, para seguir transformando D - M - D'.
Enfim, isso é apenas uma deixa para um consistente texto que encontrei, retirado do site: http://cemflores.blogspot.com/ . Leiam, vale muito, para contribuir no entendimento do que está acontecendo há algum tempo no mundo, e o motivo.

-|-|-

A crise crónica ou o estádio senil do capitalismo

Tom Thomas
É evidente que o capitalismo está em crise. Mesmo que alguns episódios de breves retomas, aqui ou ali, permitam aos “especialistas” alardear que o sistema continua de vento em popa e apresentar os crashes bolsistas ou monetários como problemas localizados, ou resultantes dos excessos de um capital financeiro a que chamam “liberal”, da especulação e da sede ilimitada de enriquecimento de alguns cínicos potentados.

11 de novembro de 2010

Para compreender é preciso ver, concretamente.

Ontem, durante a 5ª Comissão Municipal de Geografia e Estatística do Censo 2010, foram divulgados dados preliminares sobre Belém.
Este Censo Demográfico que está ocorrendo em 2010 teve aplicado um método mais rigoroso de coleta de dados, sendo, na minha opinião, uns dos mais consistentes dentre os outros. Sua estrutura foi divida em uma fase chamada de "pré-coleta", na qual o supervisor do futuro recenseador foi a campo reconhecer o setor e listar previamente seus endereços, nada muito profundo, mas que permitiu um conhecimento importantíssimo sobre as condições que os recenseadores encontrariam em campo, além de coletar informações sobre iluminação pública, pavimentação, esgoto e etc. A "coleta" foi o momento em que os recenseadores fizeram o levantamento dos dados, orientados de perto pelos seus supervisores. E pra terminar agora haverá a "PA", pesquisa de avaliação da coleta.


Enfim, gostaria de deixar aqui um elogio à galera que trabalhou na pré-coleta e coleta de dados no bairro do barrero, onde foi necessária uma comunicação comunitária para se efetuar o trabalho. Não tenho conhecimento sobre outras áreas, por isso não as mencionarei. Em uma área considerada pela PM como área vermelha, sofreram, infelizmente, no total umas 5 tentativas de assalto, e 3 assaltos de fato, com algumas recuperações.
Trabalhar vendo a realidade de perto, e sofrendo com as suas consequências, não é fácil. Ver crianças sendo assediadas pelo mundo das drogas, pois as suas possibilidades e seus limites já foram delimitados pela sociedade, é muito difícil, além de muitas outras coisas. Mas, fica o alerta, que é facilmente percebido, com o desenvolvimento e o progresso (capitalista), a violência está aumentando cada vez muito mais, porém, acredita-se que a culpa pode ser apontada separada e unilateralmente do "sistema", assim, você continua acreditando que é necessário construir mais prisões, ter mais policiais nas ruas, mais preparados e mais armados (contra quem?), ou então que é só dar esporte pra crianças praticarem e serem jogadores de futebol, mas a criança cresce e precisa sobreviver, trabalhar, mas aquelas coisas que ela cresce sabendo que é bom ter, como um tênis de marca, ou uma camisa, ou um celular ela não pode ter, pois nasceu pobre! Ah, mas espera aí, aquele menino nasceu pobre e virou jogador de futebol, vamos ser isso também! Opa, somos milhões, não dá... Ah mas aquele ali estudou e virou "Doutor", Ah, somos milhões, também não dá.. É o jeito aceitar ser pobre.. (uma parcela então) Ah, mas aquele conseguiu o que ele queria, eu vou ser igual ele, pelo menos assim vou ter as minhas coisas que tanto (colocaram na minha cabeça) preciso. Vou roubar, vender droga, talvez experimentar um pouquinho, e talvez até morrer por ali mesmo.
A coisa não é nem de longe tão simples assim, mas é tão limitada como e precisa ser bem observada sempre, principalmente se você quer culpar alguém ou alguma coisa.

10 de novembro de 2010

Sobre "Tropa de Elite 2"


É um filme excepcional. Expõe a realidade de maneira chocante. Como disse aos meu amigos: “sabe aqueles filmes que quando tu acabas de ver e sai da frente da tela, parece que demora um pouco pra cair a ficha que a realidade é outra? Pois é, esse não é um deles”. Com relação ao primeiro filme, que tenta mostrar um BOPE como exemplo e solução no quesito segurança e ordem, um BOPE isolado do sistema (o que significa fugir da realidade) esse segundo filme ganha de goleada. Ele expõe que na realidade o BOPE é apenas uma peça, e que matar traficantes, por exemplos, é funcional ao sistema, ele serve ao sistema. E que mesmo matando todos os traficantes eles só não aparecerão de novo se algo tomar o seu lugar, e que esse algo foi a milícia do Rio. O campo de visão do filme se estende mais um pouco e pode se ver que por trás de todas essas ordens e ações estão interesses muito maiores, interesses políticos, interesses de políticos que representam sempre as classes dominantes, e que todos essas instituições na verdade se encaixam em um aparelho de dominação, onde funcionando corretamente estão apenas cumprindo seu papel, seja de repressão, ou similar. Tornando as favelas, que antes eram dominadas pelo tráfico e até cuidadas pelo tráfico, imensos currais eleitorais. Até a figura da pessoa que se deparou com a brutal realidade, encarnada no Capitão Nascimento, chegar a incrível e lógica conclusão de que a PM tem que acabar. Claro, teria que acabar se o interesse de quem domina hoje não fosse mais de continuar dominante.

Outro ponto que o filme mostra é o de que aquelas funções não dependem do indivíduo, é tudo gerado pelo próprio sistema. Não importa que morra um político, ou um policial corrupto, o sistema sempre terá outro para ocupar seu lugar, sem distinção de cor, de origem social ou algo parecido. Pois, justamente, o problema não está na essência daquelas pessoas que assumiram tal cargo, não está no caráter do político que é eleito, mas está na razão pela qual o político existe, na razão pela qual a polícia, o exército existem, na razão pela qual as contradições existem.

O inimigo sempre foi outro.

8 de novembro de 2010

Sobre o balanço do CACS (UFPA)

Pode-se criticar de vários modos, de vários pontos de vista, mas não do mesmo ponto de vista do qual foram construídos os erros. O problema da gestão do CACS (Centro Acadêmico de Ciências Sociais) não foi, ou é o problema da gestão do CACS . É o problema geral do movimento estudantil. Dito isso, deve-se ressaltar que essa afirmação não deve ser usada como desculpa para não haver movimento estudantil forte dentro da UFPA, por exemplo.

O problema raiz ainda é o mesmo de todas as organizações que se dizem de esquerda, ou até (absurdamente) marxistas, que tentam organizar movimentos estudantis, ou de trabalhadores. Tal problema é o de trabalhar fora da realidade local disposta à análise de sua respectiva conjuntura (o capital adora), o que resulta num método nada marxista, de muito "esquerdismo", que tem sua constatação mais óbvia no trabalho sem a massa.

O que há de mais importante do que as necessidades das massas? Sejam estudantis, trabalhadoras, ambas, etc. Quando não se age de acordo com a real necessidade das pessoas que necessitam de tal necessidade (é pra reforçar mesmo) não haverá ninguém para acusar: "nós chamamos! Mas eles não quiseram vir! Eles são um bando de alienados!" ou coisa parecida. Mas, a realidade é dura e cruel, e ela mostra isso na sua cara quando você a ignora. Porém, impedido de ver que seu trabalho nada tem a ver com "quem você representa", tende a pensar que as massas que são desinteressadas, mas continua firme e forte com seu protesto, seja lá qual for, com uma dúzia e meia de "afiliados ao partido!" e uns poucos desorientados (que estão caindo de pára-quedas) com um objetivo nada objetivo que resultam em nenhum resultado. Mas pra isso, nem dando cola vocês acertam.

Ainda há a questão das entidades estudantis a nível nacional, “combatentes e de luta”, como sempre. Deslocam esforços exagerados para uma ação que não tem resultados objetivos para a classe “representada”. Claro que nunca resultará em algo objetivo! É tudo representação! Onde estão as massas? Mas isso é assunto pra outra postagem..